A capela de Nossa Senhora do Monte em Velha Goa estava completamente cheia de gente naquela noite do fim de Janeiro de 2009, a última do Festival do Monte, quando os Alma de Coimbra entraram, um após outro, vindos da porta da sacristia e formaram um grupo compacto frente ao altar. A moldura de capas pretas fez descer um súbito silêncio sob a abóbada de pedra. Todos os presentes, goeses, portugueses de Portugal, estrangeiros, sentiam que aquele podia ser o momento culminante do Festival. Quando o coro de vozes pela primeira vez ressoou na igreja, e quando, a partir de então, como que em sucessivas ondas, o canto e a música envolveram todos os espectadores numa espécie de abraço ao mesmo tempo nostálgico e alegre, experimentei olhar para trás, para as pessoas sentadas em filas apinhadas, para os mais jovens lá em cima no coro alto, e vi o rosto grave dos mais velhos, o sorriso enternecido dos mais novos, e, em todos, o brilho nos olhos. Perto do final do espectáculo, quando os goeses cantaram em uníssono com o Coro, em português, houve na multidão quem estivesse a chorar, e o Coro foi aclamado durante muito, muito tempo, com um entusiasmo que, naquelas partes do mundo, costuma ser mais discreto." — Paulo Varela Gomes, Delegado da Fundação Oriente na Índia, Janeiro de 2009
6 years, 4 months ago Comentários desligados